[RESENHA] 1984, de George Orwell

Comecei a ler Orwell quando estava procurando uma ideologia política que fizesse sentido para a minha vida (aprendi com a maravilhosa da Ayn Rand anos depois que não preciso disso ♥). Falaram que 1984 era uma obra de arte e uma crítica certeira ao totalitarismo, mas no final, foi que nem ler o aclamado "Apanhador no campo de centeio". Não engrandeceu a minha vida como foi prometido e não levo ele como livro de cabeceira.

Não estou dizendo que o livro é ruim, ou que ele não fala o que promete. Realmente trata de uma sociedade oprimida por um estado totalitário mas essa tão aclamada característica do exemplar não foi o que mais me chamou a atenção. 

Li outros exemplares de George Orwell porque ele é um baita escritor. Tem vezes que lemos livros de 800 páginas e no final não nos sentimos ambientalizados. Orwell consegue construir uma realidade bem tátil em livros de 300 páginas. Os personagens principais dele possuem personalidades bem construídas (e até semelhantes, se comparado com outros livros) e em 1984 foi Winston Smith que embalou toda a minha leitura. Ele desafia o modo de pensar do local em que está inserido.

Na história, as pessoas são controladas por um governo que vigia 24 horas por dia cada membro da população. Esse monitoramento é feito através de teletelas (daqui o conceito do Big Brother). Os métodos de controle são muito avançados e permitem analisar até as expressões faciais dos habitantes desse local. A sociedade é dividida em três camadas sem nenhuma possibilidade de mobilidade. Existe o núcleo o partido, que são os indivíduos mais ricos e por isso controlam o resto. O partido externo, que é a massa encarregada de fazer a supervisão dos demais, e os Proletas, que são a margem do sistema. 

Percebe-se que esse modelo de sociedade é tri semelhante do construído por Marx. Mesmo adotando ideologias voltadas para a esquerda, Orwell era totalmente oposto a injustiças sociais, e é por isso que no final da sua vida, já desiludido, escreve essa crítica ao totalitarismo. 

O foco da história é Winston Smith, trabalhador do ministério da verdade (local responsável por manipular todas as informações que serão repassadas para a sociedade). Diferente dos demais cidadãos, Smith é um cara questionador e é por conta desses pensamentos críticos que sua existência começa a tomar um rumo diferente. 



1984 é dividido em três partes fundamentais para entendimento: A primeira mostra como é a sociedade comandada pelo grande irmão, a segunda mostra a forma como Smith contradiz todas as regras e luta para fugir dos olhos do partido, e a terceira traz o desfecho da história do personagem, aqui ficamos sabendo se ele consegue livrar-se do sistema que está inserido. 

Depois de ler sobre a vida de Orwell (ou Eric Blair, seu verdadeiro nome) acabei pensando que ele se descrevia em seus personagens principais.





Procurei esse livro para buscar opiniões sobre o totalitarismo mas depois de virar a última página, sai desse exemplar com uma nova visão do ser humano. O que mais me chamou a atenção foi a capacidade do esquecimento

"O poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo, de contar mentiras deliberadas e ao mesmo tempo acreditar genuinamente nelas, e esquecer qualquer fato que tenha se tornado inconveniente." 

Duplipensar, esse foi o nome dado por Orwell a estratégia mental do partido para se manter no poder. Todas as formas e meios de comunicação manipulavam a lógica e a racionalidade. Acredito que tenha sido dessa maneira que as pessoas aprenderam a reproduzir o duplipensamento. Todos estavam cientes da realidade, mas através dessa capacidade de aceitar ideias contrárias, era possível mascarar erros e justificar práticas corruptas do governo vigente. 

Essa forma de pensar (ou não pensar) do livro me chamou muito a atenção pois é uma tradução, talvez um pouco exagerada, da nossa realidade. Políticos discursando e prometendo asneiras, coisas ilógicas, praticando atrocidades. A sociedade se esquecendo dos escândalos, escolhendo os mesmos candidatos todos os anos. Diferente do livro, possuímos capacidade de raciocinar plenamente sobre o certo e o errado, mas muitas vezes escolhemos esquecer e jogar a poeira para baixo do tapete. 



4 CM:

  1. 1984 é um dos meus livros favoritos, a ideia do "big brother is waiting u" me dava até medo quando era mais nova HAHAH Adorei seu modelo de resenha, parabéns!

    vidaemserie.com

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    1. Eu gostei bastante das entrelinhas desse livro. Acredito que ele não me abalou tanto por ter lido na mesma época que admirável mundo novo, mas de qualquer maneira, indico a leitura. Orwell é sempre surpreendente.

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  2. Eu particularmente gosto muito das obras do Orwell (já leu a revolução dos bichos?). Eu refleti bastante após o término da leitura e o considero um livro importante, daqueles meio que obrigatórios hahah Pelo o que entendi, a obra não te impressionou tanto, né? Mas, que bom que encontrou vários aspectos interessantes na leitura! Ótima resenha!!! Beijos!

    Colorindo Nuvens

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    1. Orwell é um grande escritor. É um cara que passou por diversos dilemas na vida e ainda buscava "viver na pele" as experiências antes de coloca-las no papel. Já li a revolução dos bichos sim, foi uma ótima leitura assim como Mantenha o Sistema e Dias na Birmânia. Foi incrível que 1984 não tenha conseguido me fazer submergir tão intensamente no enredo principal, mas o subtexto faz eu indicar para todos que queiram ler algo sobre o autor. Obrigada pela visita, Dai.

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