[RESENHA] Circo Mecânico Tresaulti

Assumo que demorei uns dez capítulos para acostumar com essa história. Como a maioria dos livros, o Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine, apresenta seus personagens e cria o ambiente da trama já nas primeiras páginas. O diferencial é que conseguimos sentir uma atmosfera pesada e uma história escondida logo no começo de tudo.  

Sabemos que existiu uma guerra, e sabemos que ela foi complicada. Bom, as guerras são assim, surgem, levam vidas, esperanças e alegrias. Essa é uma das tarefas da trupe do Tresaulti a alguns séculos, levar um pouco de sorriso a lugares que antes serviram como campo de batalha. Foi com Boss que tudo começou. A chefe do grupo sempre pertenceu ao mundo do entretenimento e deveria ter morrido em cima do palco assim que uma bomba atinge o Teatro de Ópera. Ela é a única sobrevivente e sai do ocorrido com poderes que nem ela entende. Salvar pessoas? Reviver pessoas? Reconstruir pessoas? Boss consegue sentir a última centelha de vida de alguém e trazê-la de volta. O que é fantástico e atormentador ao mesmo tempo. 

É como medicina. Só que em vez de engessar uma perna quebrada por exemplo, Boss substituía as peças quebradas por pedaços de metais, canos, cobres, todo o material que tivesse a mão. Você pode afirmar "Mas é impossível uma pessoa sobreviver com pedaços de metais no lugar de órgãos essenciais" e é uma questão muito válida de se levantar. Panadrome, foi a primeira criação de Boss logo após a explosão que atingiu o Teatro de Ópera. O música não está vivo, mas também não está morto. Assim que o trabalho de Boss inicia todos sabem que morrem, mas é o preço a se pagar para continuar vivo. Os órgãos param, mas consciência e a alma continuam ativas dentro de um corpo reconstruído. Para sempre. 





Uma pessoa pode optar por ser transformada e entrar no circo sem estar entre a vida e a morte. Uma pessoa normal pode optar por ficar no circo (mas esses não duram muito). Em tempos de guerra todos procuram um lar e o Circo Tresaulti oferece algo semelhante a isso. Com o tempo a trupe foi crescendo e a séculos viaja montando sua tenda. 

Esclarecido como tudo funciona voltamos a história principal, ou melhor, as histórias. O livro não é linear e conhecemos os personagens ora sobre o ponto de vista de Boss, de um dos circenses ou de George (um garoto que cresce no circo com a esperança de ser transformado). Toda essa troca de visão torna o livro um pouco confuso no começo, já que não temos tempo de digerir calmamente cada personagem. Nas primeiras páginas temos a grande impressão de termos perdido alguma coisa, mas só depois vamos encaixando o quebra cabeça. 




Existe o ponto de vista do circo, que é ameaçado pelo homem do governo. Essa visão é narrada por Boss e George. As pessoas não costumam viver tanto para ver o circo passar mais de uma vez por sua cidade, mas o homem do governo é uma exceção. Ele percebeu que muitos dos circenses não envelheceram nada desde a última aparição, a décadas atrás, e com isso sai a caça de Boss e de suas criações com a ideia fixa de criar um exército invencível afim de ganhar a guerra (como disse, qual guerra não sabemos). 

O outro lado da história é a de Alec, que foi o grande amor da vida de Boss. Para ele a chefe fez algo especial. Assas. Ela criou assas com os ossos humanos retirados de uma de suas transformações, a trapezista Elena. Com isso, o rapaz virou a grande atração do circo e foram bons tempos até o dia de sua morte. Alec e Elena tinham uma ligação forte (é claro, as assas de um eram feitas com os ossos de outro). Os dois sabiam de algo que Boss nunca soube. O presente guardava recordações e sentimentos de todos os transformados, os quais os ossos pertenceram. Assim que colocados no corpo de Alec isso o perturbou tanto a ponto de levar o rapaz a preferir estar morto. As assas foram guardadas e só voltaram a ser cobiçadas anos depois, por Bird e Stenos. Ambos possuem uma relação de amor e ódio o que não facilita nada a escolha de Boss: qual dos dois merece as assas? 



Por fim, temos visões do passado de diversos personagens e é dessa maneira que conhecemos um pouco de cada um. Alec, Elena, Ying, Panadrome, Jonah, Stenos, Bird, Bárbaro, todos cativantes. O Circo Mecânico Tresaulti requer persistência no início. São 312 páginas divididas em 81 capítulos curtos que ajudam a seguirmos firmes ao montar esse quebra cabeça. 

Li a edição especial da Darkside Books, de capa dura e cheia de ilustrações muito especiais de Wesley Rodrigues. A qualidade segue o padrão de Star Wars, que já resenhei aqui no procura-se ideias.  O livro de Genevieve Valentine pode não ter um final totalmente feliz, mas vale totalmente o tempo gasto. Um ficção muito bem escrita e construída que certamente vai fazer qualquer um não querer largar as páginas até resolver todos os enigmas. 


6 CM:

  1. Tô louca pra ler esse livro! Só essa capa já me dá vontade de chorar de tão linda! Adorei a resenha ♥

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    1. Admito. Comprei o livro pela capa. Sorte que valeu a pena e o conteúdo era tão legal quanto as aparências. Obrigada pelo comentário e volte SEMPRE <3

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  2. GENTE, QUE CAPA É ESSA? Meu deus que maravilhoso. Sou daquelas já se apaixona pela capa, e com essa resenha fiquei encantada. QUERO!

    http://giselleovits.blogspot.com.br/

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    1. O melhor: NÃO É UM LIVRO CARO. A qualidade de tradução e impressão são realmente ótimas e com um preço em conta.

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  3. A diagramação deste livro está incrível. Bom não é meu gênero favorito de leitura, mas pela tua resenha é um tipo de livro que vale a pena conhecer.

    Blog Profano Feminino

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    1. Vale mesmo. Como disse, demorei para engatar na história mas nos surpreendemos ao seguir tentando. As ilustrações são simplesmente divinas.

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